Introdução
A Batalha de São Mamede foi uma batalha travada a 24 de Junho de 1128 (Juliano) ou 1 de Julho de 1128 (Gregoriano) entre Afonso Henriques e as tropas dos barões portucalenses contra as tropas do Conde galego Fernão Peres de Trava, amante da sua mãe, condessa D. Teresa de Leão, que se tentava apoderar do governo do Condado Portucalense. As duas facções confrontaram-se no campo de São Mamede, em Guimarães ou na Veiga de Creixomil (Saraiva, 2021: p. 46).
Desenvolvimento
Quando o conde Henrique de Borgonha morreu, a 24 de abril de 1112, ficou Teresa de Leão a governar o condado, pois achava que este lhe pertencia por direito, mais do que a outrem, porque o seu pai lhe teria dado o território na altura do casamento. Associou ao governo o conde galego Bermudo Peres de Trava e o irmão Fernão Peres de Trava. A crescente influência dos condes galegos no governo do condado Portucalense levou à revolta de 1128. Os revoltosos escolheram para seu líder Afonso Henriques, filho de Henrique de Borgonha e de Teresa de Leão.
Com a influência acrescida do arcebispo de Braga Paio Mendes, Afonso tomou, provavelmente pela primeira vez, uma posição política oposta à da mãe, cada vez mais influenciada pelos Travas, que pretendiam tomar a soberania do espaço galaico-português. O arcebispo, forçado a sair do Condado, levou consigo o infante. No dia de Pentecostes de 1125 armou-se cavaleiro na Catedral de Zamora. Afonso Henriques mostrou mais abertamente a sua rebeldia contra a mãe a partir dos inícios de dezembro de 1127, na carta de couto à ermida de S. Vicente de Fragoso; em maio do ano seguinte, Egas Moniz volta a apoiar novas rebeldias do seu pupilo (como o foral a Constantim de Panoias, e talvez a doação de Dornelas à Ordem do Hospital), tendo anteriormente, por exigência de situações delicadas dos rebeldes, levado o pupilo a reconciliações fingidas com a mãe. Entretanto, novos incidentes provocaram a invasão do Condado Portucalense por Afonso VII de Leão que, em setembro de 1127, cercou Guimarães, onde se encontrava Afonso Henriques, por este se recusar a prestar-lhe homenagem aquando da coroação. Prometida a lealdade do infante pelo seu aio Egas Moniz, Afonso VII desistiu de conquistar a cidade. A mais flagrante das investidas contra a suserania leonesa dá-se em março (ou inícios de abril) de 1128, forçada pela vinda a Portugal do Imperador Afonso VII em pessoa. Este havia preparado a sua viagem pré-nupcial a Barcelona por mar, para se casar, e desejara uma solução pacífica para o conflito português. Partiu, assim, para o seu destino, do qual não regressaria antes de novembro de 1128, uma vez que entre Barcelona e Leão-Castela se encontrava Aragão, governado pelo padrasto e um dos seus maiores adversários, Afonso O Batalhador (Moreno, 2006). Os rebeldes aproveitam a ocasião: em maio, estão com o infante e o seu aio em rebeldia definitiva contra a rainha Teresa e os galegos. Egas terá mesmo levantado gentes de armas nos seus próprios domínios, com as quais interviria na batalha, que se trava junto ao Castelo de Guimarães, o foco dos revoltosos, no dia de S. João de 1128, batalha que ficaria conhecida como a célebre Batalha de São Mamede. Algumas fontes referem que o infante teria sido batido, e ia fugindo dos campos quando encontra Egas Moniz à testa das suas gentes de armas: ambos vão sobre os “estrangeiros”, que dizem “indignos”, e “esmagam-nos”. Após a ação, Egas acompanha o infante, submetendo resistências a sul do Douro. Esta vitória consagrou a sua autoridade no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado (Mattoso, 2014). Com a derrota, Teresa de Leão e Fernão Peres abandonaram o governo condal, que ficou então nas mãos do infante e dos seus partidários, o que desagradou ao Bispo de Santiago de Compostela, Diogo Gelmires, que cobiçava o domínio das terras. Teresa de Leão desistia assim da ambição de ser senhora de Portugal. A crónicas regitam que ficou prisioneira do filho. Há rumores, não confirmados, de que ela teria sido aprisionada no Castelo de Lanhoso. Há até quem relate as maldições que Teresa rogou ao seu filho Afonso Henriques (Calado, 1998: p. 11).
Bibliografia
CALADO, A. A. (1998) - Crónica de Portugal de 1419. Aveiro: Universidade de Aveiro.
MATTOSO, J. (2014) - D. Afonso Genriques. Lisboa: Temas e Debates.
MORENO, B. (2006) - Portugal e o reino das Astúrias no período de formação. Actas do Colóquio Astúrias e Portugal. Relações históricas e culturais. Lisboa: Academia Portuguesa da História, p. 115–141.
SARAIVA, J. H. (2021) - História Concisa de Portugal. Lisboa: Contraponto editores.
Referência Bibliográfica
Almeida, F.. (2024-10-30). Batalha de S. Mamede. E-Medieval. Disponível em https://iemdigital.github.io/e-medieval/eventos/Batalha-de-Sao-Mamede/
ALMEIDA, Fernando - "Batalha de S. Mamede". E-Medieval [Em linha]. 2024-10-30, [Consultado a 2025 ]. Disponível em https://iemdigital.github.io/e-medieval/eventos/Batalha-de-Sao-Mamede/
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